Editora Mensagem - Luanda

Não existe em lado nenhum do Mundo - Futuro... sem Educação!

Angola Educação para a Democracia

 

A qualidade da educação é um pressuposto fundamental para a construção do futuro, dos níveis de desenvolvimento e da qualidade da democracia a construir no país. Sem educação de qualidade, não existirá democracia na acepção do termo, a democracia é um processo participativo que exige além do mais os níveis mínimos de compreensão necessários para uma intervenção social e política consciente na vida colectiva das sociedades a construir, mais justas e equilibradas. Claro que o ensino de massas universal e gratuito, apresenta algumas dificuldades próprias, por isso mesmo é mais importante e exigível uma boa gestão material e pedagógica dos meios, por parte do Estado,... porque só assim cumpre o seu dever indeclinável perante as crianças e o futuro da Nação. Ao trazer este assunto a debate, e dado que sou editor de manuais escolares, no caso das disciplinas de geografia e de história, estou portanto informado dos enormes esforços financeiros feitos pelo Estado Angolano destinados à educação primária e pré-primária,... cerca de 200 milhões de dólares por ano, desde 2009. Os encarregados de educação, não poderão por isso deixar de apoiar activamente os seus filhos nas obrigações escolares e nomeadamente no CONTROLO EFECTIVO DOS MANUAIS ESCOLARES, a distribuir gratuitamente pelo Ministério da Educação, e que são pagos pelo Estado Angolano, destinados aos seus filhos em todos as disciplinas, combatendo e denunciando à Policia Económica, o mercado informal especulativo nesta altura, devido à proximidade da abertura do novo ano escolar, (a partir deste mês) e venderem descaradamente, principalmente próximo das escolas e nas ruas e praças, os manuais escolares que já foram pagos pelo OGE para todos os alunos e cuja explicação para este fenómeno, só se justifica por eventualmente poderem ser desviados do próprio Ministério da Educação, e mesmo não ser feita a prometida e garantida distribuição aos alunos do ensino primário… ou estarem a ser produzidos ilegalmente pelas gráficas em conivência criminosa… e por elas postos à venda no mercado negro especulativo - Um negócio chorudo para alguns, mas imoral e inaceitável para o país e principalmente as crianças. Igualmente deverão recusar, abdicar da exigência feitas de forma obscura… dos livros e substituir pelo baixar através da internet no site do INIDE, criado para o efeito de… dado que,... fotocópias agrafadas ou com molas, não são o mesmo que um livro, que obedece a determinadas condições técnicas de durabilidade e mesmo em termos pedagógicos, ficando mesmo assim, muito mais caro que o preço dos livros no mercado negro, por um lado, por outro, não aguentam durar todo o ano escolar. ... e ainda porque a maioria dos angolanos ainda não tem computador e os meios de impressão necessários. Um manual escolar fotocopiado por exemplo de geografia ou de história, que tem de obedecer à impressão a cores, ficará só por si mais caro que todos os livros para uma só classe,... e mesmo assim é sempre defeituoso. Cabe ainda ao Estado Angolano aperceber-se das contradições de quem exerce a gestão de enormes valores financeiros e de produto relacionados com os manuais escolares... e equipamentos, que não só defraudam os esforços políticos da governação, mas agora ainda mais, agravado pela actual situação de crise financeira do país, devido ao abaixamento do preço do petróleo, principal receita financeira do país. Assim a Inspeção Geral do Estado, o Tribunal de Contas e ainda à fiscalização das entidades públicas especificas e competentes, deverão obrigar ao cumprimento escrupuloso e exemplar do que ao estado pertence e cujo fim está destinado e que é o mais caro de todos os principio e objectivos de um país - A educação das suas crianças! Não se pode por omissão cometer a fraude e iludir as obrigações do poder político e atirar para a ignorância criminosa o futuro de milhões de crianças angolanas comprometendo o futuro e o bem estar de todo um povo!

António Jorge 

editor e livreiro em Angola Luanda

Educação para todos - Angola Profunda! 

 

- A língua portuguesa adoptada por alguns países que foram até ao passado recente… colónias de Portugal… e que o 25 de abril, permitiu acelerar as suas independências… colocou na ordem do dia a questão da língua nacional nos novos países independentes. O ensino escolar nas ex. colónias portuguesas não era extensivo às populações africanas… salvo raras excepções de aprendizado da língua portuguesa, feita por algumas igrejas… umas menos… a Católica e por razões nacionalistas, mais, a Metodista… inclusive das línguas nacionais. Só depois do inicio da luta armada iniciada em 4 de fevereiro de 1961 em Luanda e em 15 de março no Norte de Angola, os africanos começaram gradualmente a ter acesso ao ensino primário… porém... com manuais escolares iguais aos que existiam em Portugal, a intenção do regime, era a de travar as dinâmicas dos ideais das independências e procuraram reduzir a pressão nacionalista e controlar a situação… desenvolvendo políticas colonialistas de ordem psícosocial e de assimilação… baseado na língua, cultura portuguesa, aceitarem a cultura ocidental, adoptarem a religião católica... e vestir como os portugueses, etc. Em Angola, as línguas maternas mais faladas, são o Umbundo (aproximadamente 35%) e o Kimbundo (aproximadamente 25%) - E que tendo em conta o conflito decorrente da luta de guerrilha contra Portugal pela independência de Angola; a FLNA - originária da zona da cultura e língua Kikongo (Norte de Angola) o Umbundo do Planalto, zona de base UNITA, e do MPLA, que embora desde logo tivesse tido a sagacidade de uma visão de unidade no todo nacional e global… com a consigna de Cabinda ao Cunene... nasceu na área do Kimbundo, no eixo Luanda -Malanje. É tendo em conta este cenário, que se optou, como solução de compromisso, não se impor nenhuma língua materna uns aos outros... associada a qualquer movimento político nacionalista e tendo em conta a realidade, Agostinho Neto, líder do MPLA e primeiro presidente de Angola livre e independente, optou pela língua portuguesa, como língua de unidade nacional, numa altura em que os ventos da revolução do 25 de abril ainda não estavam infectados dos perigos e das consequências trazidas para Angola, também, pela contra-revolução do 25 de novembro de 75 em Portugal. Angola, apesar de ter assinado o Programa do Milénio das Nações Unidas, não deu cumprimento às suas directivas e recomendações. Não desenvolveu nem implantou o edifício escolar das línguas maternas, como se comprometeu e que seria e é, imperioso e necessário. Ao não o fazer, a maioria da sua população está afastada do sistema de ensino e do desenvolvimento e logo do acesso ao mercado de trabalho mais qualificado, com todas as consequências que isso acarreta em termos de pobreza… das pessoas e do país. Existem mais de uma dezena de línguas maternas ou nacionais principais em Angola, é urgente e necessário que as crianças que nascem e vivem dentro das localidades, aldeias e comunidades e que se exprimem e comunicam nas suas línguas nacionais… e tem o seu desenvolvimento e capacidades cognitivas desenvolvidas nessa língua... tem o Estado Angolano o dever de implementar o ensino em línguas maternas, como processo de transição para o ensino da língua de unidade… o português. Como editor de manuais escolares, cheguei apresentar há mais de 15 anos, um projecto de edição de manuais escolares em sistema bilingue… o português e uma língua nacional em cada uma das 13 línguas mais representativas de Angola. Claro que não bastam os manuais… são precisos programas, escolas especificas e formação de professores para as línguas maternas e mesmo capacidades em comunicar em bilingue. Cheguei a criar um grupo multidisciplinar multi linguístico com técnicos para o efeito… mas por razões comerciais ninguém se interessou na altura por este projecto… a que a Republica de Angola se obrigou… e iludiu... até ver. Evidentemente que as populações rurais são muito pobres e não tem capacidade nem compreensão da importância para o futuro dos seus filhos, deste Programa do Milénio da ONU. Mas os direitos baseados nos preceitos constitucionais do ensino universal e gratuito, é para todas as crianças angolanas. Na altura dizia-se que isto fazia desenvolver o tribalismo… o que é falso… o tribalismo pode sim desenvolver-se... é não se dando igualdade de oportunidades a todos os angolanos da mesma forma e direitos. Ainda hoje, e se considerar-mos a população abrangida pelo ensino pré-primário e primário… apesar das estatísticas fabricadas… apenas cerca de 30%. são estudantes em língua portuguesa. É preciso urgentemente, implementar um programa global de ensino em línguas maternas em Angola, até há 5ª. ou 6ª. classe, como transição para a entrada de todas as crianças angolanas no ensino oficial na língua de unidade nacional, a língua portuguesa, que é a língua oficial de Angola, reconhecida como tal na Lei Constitucional.

António Jorge