Editora Mensagem - Luanda

Não existe em lado nenhum do Mundo - Futuro... sem Educação!

Luanda - Mapa da cidade do século XIX, no tempo do domínio do mercado escravocrata das famílias crioulas...

Luanda - Mapa da cidade do século XIX, no tempo do domínio do mercado escravocrata das famílias crioulas de Luanda... e hoje consideradas como famílias importantes e ricas, de origem assimilada e donos do poder, desde há 30 anos.

- No mapa assinalado a preto, o Bungo, o lugar onde existiu o maior solar português no Atlântico Sul... conhecido por Palácio de Dona Ana Joaquina. Este Solar... que era o maior monumento da memória humana da escravatura em Angola, foi mandado demolir, no tempo de um ex. Ministro, vindo de uma família assimilada do poder no ano dois mil.

Era Ministro da Educação e da Cultura, António Burity da Silva Neto Bravo.

- Os escravos antes de embarcarem nas Portas do Mar, para as Américas... do Sul e do Norte e Caraíbas... ficavam aguardar no Bungo... nas traseiras... nos quintais do Solar de Dona Ana Joaquina... e quando com o fim da escravatura foi proibido o tráfico negreiro, os escravos seguiam por um túnel desde o Bungo até às Portas do Mar... para não serem vistos.

A escravocrata Dona Ana Joaquina, era uma mulher poderosa, e dona de milhares de escravos, e de uma significativa frota de navios de costa e oceânicos, para o transporte no litoral de Angola e a travessia do Atlântico. E ainda dona de enormes terras e gado.

Nesta altura, a Igreja dos Remédios, devido á maior presença e domínio dos portugueses se fazer sentir mais no Reino do Ndongo... associado desde à séculos ao negócio de exportação de mercadoria humana; a escravatura de homens, mulheres e crianças, principalmente para o Brasil. Passou a ser a Catedral dos Reinos do Congo e do Ndongo.

Existiam vários mercados de escravos em Luanda, e nomeadamente no lugar que é conhecido hoje, por Largo do Baleizão... muito próximo do local do embarque para o Calunga... nas Portas do Mar, e outra praça de escravos na Corimba que fica na Samba.

- Porque e como o mercado escravocrata passou a ser dirigido pelas famílias crioulas de Luanda?

Como é sabido a Joia da Coroa de Portugal do Império Colonial, era o Brasil... só depois da separação do Brasil de Portugal em 1822, passou a ser Angola.

O Brasil absorveu durante mais de duzentos anos, todo o crescimento demográfico de Portugal. Portugal a partir de 1807, foi sujeito às invasões napoleónicas, tendo originado a saída da coroa portuguesa e da quase totalidade da sua aristocracia, para o Brasil. As invasões napoleónicas terminam em 1814, e consequentemente o fim da regência inglesa sobre Portugal.

O Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, D. João IV, é coagido pelos ingleses a ter de regressar a Portugal. O império desfaz-se... O Brasil separa-se de Portugal e em setembro de 1822... o Brasil, assumiu a condição de uma outra forma de independência... a solo... separado de Portugal.

D. João IV, regressa e assume o trono de Portugal em 1822. Portugal vive um largo período de problemas e incertezas, em consequências das invasões napoleónicas, a separação do Brasil, onde ficou a quase totalidade da sua aristocracia. D.João IV, morre em 1826, sucede-lhe seu filho D. Pedro IV, Imperador Pedro I do Brasil. Entre 1828 e 1834, inicia-se a guerra, conhecida pela guerra dos dois irmãos pela sucessão do trono, entre Pedro I do Brasil, liberal constitucionalista e D. Miguel... absolutista. A guerra da Patuleia, entre cartistas e setembristas, em consequência da revolta da Maria da Fonte em 1846, e da abolição por decreto dos escravos em Portugal, do Estado em 1854 e da igreja em 1856.

E, finalmente... com a lei de 25 de Fevereiro de 1869 proclamou-se a abolição da escravatura em todo o Império Português, até ao termo definitivo de 1878.

Registo para que se saiba: O comércio de escravos que se estabeleceu no Atlântico entre 1450 e 1900 contabilizou cerca de 11.313.000 indivíduos.

António Jorge - editor e livreiro em Angola

Reino de Loango

 

Reino de Loango - Angola O Reino de Loango (Nsi ya Luangu, na língua quicongo) foi um estado pré-colonial africano, entre os séculos XV e XIX, situado no que é hoje a República do Congo.

No seu auge no século XVII o reino expandiu-se de Mayombe, no norte, até Cabinda, em Angola, quase à foz do rio Congo. - As origens de tal reino não são claras.

Os habitantes de Loango, pertencentes ao grupo bacongo, falavam um dialeto setentrional da língua quicongo, que também era falada no Reino do Congo.

Missionários que visitaram a costa de Loango em fins do século XIX chamavam os habitantes de bafiote e sua língua de fiote. Actualmente eles são conhecidos por vili ou bavili, termo que começa a ser usado a partir do século XVII, quando se utilizava comummente o gentílico mobili.

A mais antiga sociedade com estrutura complexa existente na região vivia em Madingo Kayes, que já era um assentamento diversificado no primeiro século da era cristã.

De momento, as evidências arqueológicas são muito escassas para revelar algo mais concreto sobre tal sociedade, que existiu entre os fins do século XV e o início do XVI. O Reino de Loango não é mencionado nos contos dos primeiros viajantes à região nem nos títulos de 1535 do rei Afonso I, do Congo, que se refere apenas a Cacongo e Ngoio, dois de seus vizinhos do sul.

Portanto, o relato mais detalhado de que se tem notícia foi registado por visitantes neerlandeses nos anos de 1630, e narra que o reino era originalmente uma parte de Cacongo, no Congo, do qual se separou para se tornar independente provavelmente por volta de 1550.

1 - Mapa editado em 1754 que mostra a extensão do Reino de Loango em 1708

2 - Menina loangoesa retratada de perfil

3 - Cidade de Loango, capital do reino, a partir de detalhes fornecidos por exploradores (imagem de 1668)

4 - Mapa do reino

Os Mbundu - Os Reinos do Ndongo e da Matamba

Os Mbundu - Os Reinos do Ndongo e da Matamba

- Angola Ambundu ou ambundos, são um grupo étnico do filo linguístico bantu que vive em Angola, na região que se estende da capital Luanda para Leste.

A sua língua é o Kimbundu ou quimbundo. Os Ambundu são o segundo maior grupo étnico angolano, representado cerca da quarta parte da população do país. Os seus subgrupos mais importantes são os Luanda (ou Muxilwanda (Besangana), os Ambundu em sentido restrito, os Kissama (Quissama), os Hungo, os Libolo, os Kibala (Quibala), os Ngola, os Bângala (ou Imbangala), os Songo, os Chinje e os Minungo. Índice Os Ambundu, cuja língua é o kimbundu, habitavam na faixa de terra, entre dois importantes rios da região: o Kwanza, Bengo e a Baixa de Kassange.

Formaram dois importantes reinos pré-colonial Africano,sendo eles o Reino do Ndongo e Reino da Matamba. Os Ambundu são o povo dominante na região da actual capital angolana, mais precisamente nas províncias do Bengo, Kwanza Norte, Malange, Kwanza Sul e uma pequena parte do Uíge. Apesar de os portugueses terem travado relações comerciais com os Bakongos, logo após a sua chegada ao reino do Kongo, a partir da certa altura, estabeleceram uma colónia permanente em Luanda na região do reino do reino do Ndongo, no ano de 1576, como base para o comércio de escravos.

Houve revoltas constantes contra a ocupação nesta região pelos portugueses, sendo a mais conhecida, a que foi encabeçada pela Rainha N'Jinga. (N'zinga)

Boa parte dos mais de 4 milhões de escravos traficados para as Américas, entre os séculos XVI e XIX (especialmente para o Brasil) eram Ambundu, já que este grupo étnico, ficava na região que se caracterizou por ser, o local mais importante e significativo da secular presença portuguesa na chamada capitanía donatária de Luanda.

O desenvolvimento da cidade de Luanda como capital e principal centro comercial e industrial levou a que muitos Ambundu se deslocassem para a capital, terminando na construção de imensos musseques nos arredores da cidade e levando a que, por causa da pesada presença dos portugueses e do grande número de mestiços lusófonos, o português se sobrepusesse à língua nativa, levando a que, hoje, a que a maioria dos Ambundu, só saibam falar o português.

Notas: Mais precisamente, os Mbundu do Norte. Nesta terminologia, os "Mbundu do Sul" são os Ovimbundu. Por desconhecimento e prática corrente, confundiu-se no tempo colonial a designação da língua, com a identidade etnica, passando a chamar incorrectamente, a etnia de "quimbundos".

Este hábito, nunca aceite pelos conhecedores, teve uma certa continuação no período pós-colonial. A melhor fonte a este respeito é Joseph Miller; Poder político e parentesco: Os antigos Estados Mbundu em Angola, Luanda: Arquivo Histórico Nacional de Angola, 1996. Sobre o tráfego de escravos a partir de Angola, a referência básica é a obra monumental de Josph Miller, Way of Death: Merchant Capitalism and the Angolan Slave Trade, 1730 - 1830, Londres & Madison/Wisconsin: James Currey & University of Wisconsin Press -1996.

NB: Muitos escravos provinham do Leste de Angola (Lundas) e foram "comercializados" pelos Ambundu.

Na imagem - Luanda, já em tempos de ocupação colonial

Mapa da África antes da Conferência de Berlim 1884 -1885

O Mapa da África

- E que embora já colonizada, e geralmente em algumas zonas ribeirinhas - nas costas marítimas, enquanto as políticas foram do interesse em torno do comércio trilateral... a caça e exportação para as Américas de carga humana... os escravos.

Depois os interesses das grandes potências marítimas, passou a ser outro e até proibiram o tráfico negreiro.

A terra do mar ao sertão, passou a ser desejada e ocupada por uma parte de países da Europa Ocidental; Inglaterra, Alemanha, França, Bélgica, além de Portugal.

Ainda antes da África ser retalhada pelas decisões das potências colonialistas e imperialistas, tomadas durante a Conferência de Berlim - 1884-1885

António Jorge

O RESGATE DA DIGNIDADE DE ANGOLA E DA ÁFRICA!

Por muitas voltas que se dê... não existe outra alternativa para a África e os africanos....

A não ser a EDUCAÇÃO como processo principal para a sua LIBERTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO!

- O poder do Norte sobre o Sul... desde o século XIV, tempo das descobertas marítimas... dos pertencentes ao Hemisfério Norte, aumentou exponencialmente, mesmo tendo em conta as independências dos países da África sub-sariana e tendo como referência os piores tempos da guerra do kuáta, kuáta, da escravatura e da ida forçada para as Américas, do chicote e do cavalo marinho... do aliciamento feito no passado pelos espelhos e panos do Congo... para enganar preto.

Um poder que aliena, submete e inferioriza o africano, feito através de uma panóplia de meios e de processos... até de parecer que qualquer africano pode ser rico e poderoso... como forma de alienação e desfoque da realidade e intenção.

De facto, já existem africanos muito ricos e milionários... nas elites assimiladas, e alguns são tão ricos, que até são investidores na Wall Street e na City. Porém... à custa do povo miserável, carente de tudo, do desvio e traição e afastamento dos caminhos da libertação africana e de traição nacional.

O problema agravou-se... antes o problema estava na segregação, racismo e colonialismo e opressão política e social contra os negros... agora o racismo é de ordem institucional e total... tem uma outra ordem de grandeza... afasta a África do seu desenvolvimento... impede-a de renascer.

Criaram-se falsos mitos de igualdade e de oportunidade... e que nada tem a ver com a verdade... nomeadamente pelos africanos que conseguem transcender-se e projectar-se no Mundo do futebol, como artistas da bola ou como outros, como agentes da cultura africana para servir o exotismo consumidor dos outros,,, na música ou noutras áreas restritas acessível apenas alguns dotados de talento.

E que faz querer... de que não é rico e famoso quem não quer...

Parece que todos tem oportunidade de ser rico!

Os milhões de deserdados da terra, continuam a morrer de fome, de doenças, da malária, da dengue, da cólera e de outras pandemias, por falta de condições de vida e dignidade humana, pelas guerras feitas por encomenda em institutos de psicologia social de massas e antropologia, para se matarem uns aos outros, fomentado pelo cinismo e de novos propósitos do colonialismo vindo do norte... aproveitando-se das diferenças de natureza étnica, da credulidade africana e da cultura antropológica de cada povo...

os mesmos manipuladores, que nem sequer escondem esses propósitos... e que melhor exemplo para o demonstrar, que o que se passa com os milhares de africanos a morrerem na vã tentativa de chegarem à Europa e fugirem à guerra, à miséria e à morte em África e o seu sonho acaba geralmente nas águas profundas do Mar Mediterrâneo!

Frantz Fanon, o primeiro teórico e revolucionário da negritude, colocava o problema da libertação dos africanos na questão inultrapassável dessa libertação ser feita a partir dos camponeses... a história prova até à saciedade que tinha razão...

os assimilados traíram e por razões culturais, de interesse e vantagens, estão mais próximos das suas antigas metrópoles que dos povos e razões africanas para se libertar e concretizar a renascença africana.

O processo angolano que eu vivi, permitiu-me sentir e expressar agora o que vi e concluí, em mais de 20 anos de Luanda... e que mais não é do que a submissão do país a Luanda e à sua forte cultura de influência ligada historicamente à assimilação e ao poder escravista e colonial de 500 anos, desde o reino do Ndongo, pelas alienações e sequelas desse passado, que influência o país e a todos, pela sua grandeza e cultura e como centro do poder assimilado... e que por todas estas razões, se transformou no principal inimigo do desenvolvimento de toda Angola, nos seus aspectos políticos, culturais, geográficos e humanos, que impedem o desenvolvimento e bem estar do seu povo e da África.

QUE CONTINUAM AGUARDAR HÁ MAIS DE 40 ANOS PELO DIREITO À EDUCAÇÃO PARA TODOS!

QUANDO DIGO PARA TODOS, NÃO ESTOU A FALAR APENAS PARA OS QUE FALAM PORTUGUÊS... MAS DE TODAS AS CRIANÇAS E POVOS QUE FALAM AS SUAS LINGUAS MATERNAS... A MAIORIA E QUE CONTINUAM SEM ESCOLAS E PROFESSORES NAS SUAS LINGUAS... apesar das falsas teorias, sobre o tribalismo e estatísticas inventadas do governo, que desfoca a realidade.

António Jorge - editor e livreiro em Angola

23 de setembro de 2019

Os últimos monarcas do Reino do Congo... em Angola... embora desde há muito sem poderes de facto... apenas figurativas durante o colonialismo português que durou até à independência em 11 de novembro de 1975

Para a compreensão da história de Angola - O Reino do Congo

O Reino do Congo, conhecidos comummente pelo título de Manicongo (em kikongo: Mwenekongo).

Em kikongo, as províncias eram conhecidas como wene. Os senhores destas wene eram conhecidos como Mwene (plural: Awene). O senhor do Congo era o mwene mais poderoso da região e como tal reconhecido como o ntinu rei da região, pelos portugueses desde a sua chegada à foz do rio Zaire em 1483.

Kandas, Gerações e Casas

A governação no Congo baseava-se primeiramente na kanda. Cada kanda (plural: makanda) era uma facção baseada no grupo afectivo ou filiação. As kandas geralmente recebiam o nome de uma pessoa (ie. Nimi, Nlaza ou Mpanzu), mas podiam também receber o nome de uma ocupação (Mbala) ou local de nascimento (Kwilu ou Nsundi). O prefixo ki em KiKongo é adicionado a esses nomes para demonstrar "pessoas com algo em comum". Essas facções eram reconhecidas como gerações ou casas (linhagem) constam nos documentos do Congo escritos em português.

Até meados do século XVII, após a batalha de Mbwila, essas facções eram de curta duração e flutuavam. Porém, após esta batalha, as facções passaram a ser muito mais firmes e duradouras... durando gerações, particularmente os Kimpanzu e os Kinlaza.

A escolha dos Reis do Congo era feita através de uma série de princípios dado que os Reis anteriores decidiam diferentes formas e métodos de selecção nas suas cartas onde anunciavam a sucessão. Kanda ou Casa dominante. A maior parte das casas reinaram num período distinto com poucos ou nenhuns intervalos. Este não é o caso, contudo: após a guerra civil do Congo.

Durante este período poderá ver o nome da Kanda de cada rei ao lado do seu reinado.

O fundador deste vasto reino foi lukeni, um rei guerreiro, conquistador e poderoso, que com o seu pequeno grupo atravessou o rio Zaire e fixou-se também, na sua margem esquerda deste importante rio. Reuniu à sua volta os povos ali encontrados e formou o Reino do Congo, o rei nimi-a-lukeni era também conhecido por ntinu wene ou ntotela. Lukeni lua Nimi (1395 - 1420) Fundador do reino e primeiro manikongo.

António I (1660 - 1665) O Rei foi capturado e morto pelos portugueses em 1665, sendo o ultimo monarca congolês independente.

Fragmentação do Reino durante a Guerra Civil Dinastia de Á Mbanza (Reinando em São Salvador) Trono vago em São Salvador entre 1678 e 1691.

Pedro IV (1692 - 1718) Unificador do reino. Dinastia de Kibangu (Reinante em Água Rosada) Sebastião I (1666 - 1670) Pedro IV (1695 - 1709) Unificador do reino.

Reunificação do Reino Dinastia alternadas Pedro IV (1709- 1718) (...) mais 19 - Diversos monarcas do reino, entre 1718 e 1860. Pedro VI (1860 - 1888)

Reino do Congo sob a vassalagem de Portugal Álvaro XVI (1891 - 1896) Henrique IV (1896 - 1901) Pedro VII (1901 - 1910) Manuel Nkomba (1910 - 1911) Manuel III (1911 - 1915)

Ultimo soberano real do Congo, após a abolição do título que por sua vez já era apenas, só representativo e não político.

Na imagem o último soberano... (assimilado pelo colonialismo português) real do Congo 1911 - 1915)

Como era... Luanda do século XVII - Há 300 anos...

Capital da escravatura!

A cidade alta em frente, ao seu lado num plano mais abaixo o Forte de S. Miguel de Loanda, (Luanda... depois) mais próximo à direita, a cidade baixa, vendo-se a igreja de Nª. Sª. dos Remédios, e que em 1716, passou a ser a sede da Diocese de Angola (Ndongo) e Congo, transferida de São Salvador do Congo para Luanda, o que terá levado eventualmente, a Igreja dos Remédios, a se transformar em Catedral.

- Em frente ficavam as Portas do Mar... na Baía de Luanda... e por um túnel subterrâneo os escravos caçados nas Lundas, e de outros sítios, através do agarra, agarra... a Guerra do Kuáta, Kuáta... caça aos nativos para a escravidão, que eram embarcados, mesmo depois do fim da escravatura.

Ao seu lado esquerdo, a zona onde nasceu a cidade baixa, junto ao local onde se situa a rua dos Mercadores, próximo dos Coqueiros. Depois a cidade foi-se desenvolvendo para norte, (lado esquerdo da imagem onde se vê duas nativas de Angola) até ao Bungo, onde se situava o maior solar de Angola, que passou a ser conhecido por Palácio Dona Ana Joaquina... a maior escravocrata de Angola e de uma poderosa frota de navios negreiros que atravessavam o Atlântico, nomeadamente para o Brasil.

E que no regresso carregavam pedras do Brasil, para fazer um lastro nos barcos para navegarem de novo até Luanda... pedras que foram utilizadas na construção do sobrado... e que eu conheci também, no pavimento feito em parte do edifício onde está sediada a Associação 25 de Abril em Angola, de que fui seu vice-presidente.

Lamentavelmente, este grande Solar... um sobradão, o maior monumento visível da memória da escravatura existente em todo o território angolano, foi demolido pelos assimilados do poder... com poder até... de apagarem os registos da história da escravidão e do colonialismo... que imagine-se até... chegarem ao ponto de recusaram uma proposta da UNESCO, para a recuperação do grande e histórico edifício.

António Jorge - editor e livreiro em Angola

História - Reinos que existiram no território que hoje conhecemos como Angola

História - Reinos que existiram no território que hoje conhecemos como Angola no periodo pré-colonial.

De acordo com o mapa dos Reinos Históricos de Angola (do Instituto de Investigação Científica de Angola), o Reino do Kongo (Séc. XIII a XVI) englobava as províncias do Zaire, do Uíge, quase toda a província do Bengo e do Cuanza Norte, bem como a parte norte da província de Malange.

Este Reino do Kongo era, porventura, o maior de Angola, projectando-se, também, para dentro do território da actual República Democrática do Congo.

Os Reinos Matamba e Ndongo (Séc. XVI a XVII), englobava parte das províncias de Malange, do Bengo, e quase toda a província do Kwanza Sul. O pequeno Reino da Kissama (Séc. XVI a XVII) situava-se na parte costeira da província do Kwanza Sul.

Os Reinos do Planalto (Séc. XVI a XVII) eram Mamba, Sanga, Ndalu, Bailundo, Tchisange, Nganda, Tchiaca, Bié e Huambo.

O Reino de Kassange (Séc. XVI a XVII) englobava parte da província do Bié, a baixa de Kassange e a parte ocidental da Lunda Norte.

Os Reinos da Lunda Tchokwe (Séc. XVI a XVII) eram o Reino ou Império Lunda, que englobava a província da Lunda Norte, e o Reino Tchokwe, o qual abrangia parte da Lunda Norte, toda a Lunda Sul, bem como parte da província do Moxico.

Os Reinos do Sudoeste (Séc. XVI a XVII) eram Muso, Huíla, Mulundo, Helelos, Tchipungo, Tchiwemba, Nagambwe e Ambós.

A Província de Cabinda e que hoje, faz parte de Angola, foi conhecida no tempo colonial como Enclave de Cabinda, com autonomia administrativa, e no passado fez parte do Reino do Congo.

Cabinda, correspondia aproximadamente ao território da actual da província com o mesmo nome, tendo-se transformado em protectorado de Portugal no século XIX, mais tarde... em 1956, foi convertida em distrito de Cabinda pelas autoridades coloniais portuguesas.

Benguela-Velha - História

Benguela-Velha - História

- O navegador Diogo Cão terá sido provavelmente o primeiro português a visitar a região entre Benguela-Velha e Benguela, em 1483. Ao explorar a foz do rio Catumbela e uma baía que lhe ficava a sul, provavelmente Benguela ou Farta, deu-lhe o nome de Santa Maria.

No entanto, os exploradores que se foram sucedendo na exploração daquela região costeira não reconheciam necessariamente os lugares visitados pelos seus predecessores, atribuindo-lhes novos nomes, e tornando complicada a identificação dos lugares mencionados em documentos históricos. O nome de Benguela Velha remonta a 1559, ano em que Paulo Dias de Novais, neto do navegador Bartolomeu Dias, foi escolhido pela Rainha D. Catarina, para dar início à ocupação do Reino de Angola e do Reino de Benguela.

Em 1574, quando o Rei D. Henrique atribuiu a Dias de Novais a capitania de Angola, esperava plenamente novas expedições a Benguela-Velha. Na qualidade de capitão, Dias de Novais detinha jurisdição total sobre as minas locais e impostos, assim como privilégios sobre o comércio e quaisquer recursos naturais, como especiarias e minério. Assim que chegou a Luanda, Dias de Novais mandou a Benguela-Velha o sobrinho, Lopes Peixoto, incumbido da missão de encontrar jazidas de ouro e prata, assim como para continuar as parcerias comerciais iniciadas por Henrique Pais.

- Embora Peixoto não tenha encontrado as minas, a sua missão foi bem sucedida, uma vez que conseguiu fazer trocas comerciais "com nativos, obtendo provisões, vacas, verduras, escravos, marfim, e anéis e pulseiras feitos de cobre". Lopes Peixoto estabeleceu relações comerciais e iniciou a construção de uma fortaleza temporária para proteger os setenta soldados sob o seu comando, terminada em 1587.

A partir de 1578, deu-se a fixação portuguesa na nova colónia, marcando o início da exploração da região sul de Angola.

Em 1586, como resultado da cooperação comercial, o governante identificado como rei de Benguela requereu "amizade" e submissão ao Rei de Portugal, pedido provavelmente relacionado com a competição em curso com o estado de Ndongo, situado a norte.

O Padre Diogo da Costa, que visitou a região, descreve o rei de Benguela como "[homem] muito compreensivo, controlando um reino com uma riqueza mineral extrema". No entanto, enquanto o rei via os portugueses como parceiros comerciais iguais, Lopes Peixoto encarou a aliança como uma subjugação. Este diferente entendimento das alianças políticas e comerciais levou a uma série de conflitos entre forças africanas e portugueses através dos séculos.

O rei de Benguela não percebera que ao assinar um tratado com os portugueses estava a abdicar da sua soberania. O soberano concordara em deixar que os portugueses se estabelecessem ao longo da costa e que construíssem uma fortaleza, onde os seus bens pessoais e comerciais podiam ser guardados a salvo de ataques e pilhagens.

No entanto, o rei não se havia submetido ao domínio português. As relações iniciais haviam sido amistosas, mas rapidamente se deterioraram. Ao fim de alguns dias, súbditos do rei de Benguela atacaram soldados portugueses que se encontravam a pescar, e, controlando as suas armas, mataram os restantes soldados que se encontravam na fortaleza, escaparam apenas dois homens portugueses, que fugiram para Luanda.

Durante o ataque Lopes Peixoto foi morto, o que deteve temporariamente a febre colonizadora a sul do Cuanza.

A Coroa Portuguesa, que enfrentava simultaneamente conflitos no Congo, cessou de enviar tropas para Benguela-Velha até 1617, focada na sua relação com as elites políticas e económicas do Ndongo e do Congo.

Domingos de Abreu de Brito visitou a colónia de Angola em 1590-1591, constatando a importância do comércio com Benguela-Velha. No seu relatório, Abreu de Brito recomendou à Coroa Portuguesa a separação dos impostos recolhidos nos portos de Benguela-Velha e Luanda, com vista a se poder perceber o exacto valor e importância do comércio de escravos em cada um daqueles portos.

Também aconselhou Portugal a nomear um governador com autonomia em relação aos assuntos angolanos, e à aquisição de três galeotas para levarem a cabo o comércio entre Benguela-Velha e Luanda.

Relatos sobre a existência de minas de ouro e marfim levaram a Coroa Portuguesa a considerar o envio de novas expedições com o fim de reocupar o porto. Em 1611, Filipe II relata a abundância de cobre em Benguela-Velha. De acordo com o monarca, o cobre poderia ser enviado para o Brasil em navios negreiros, sem qualquer custo adicional.

No porto de Benguela-Velha os escravos podiam ser adquiridos com maior lucro que em Angola, para benefício da Coroa.

É igualmente referido que a alta densidade populacional favorecia a captura de escravos, e que o marfim conseguia encontrar mercado em outros locais. O local foi abandonado pelos portugueses após o assassinato de Lopes Peixoto, continuando a ser habitado pela população nativa.

Um marinheiro inglês, Andrew Battell, visitou o local em 1600-1601, relatando que a população que aí vivia era chamada de Endalanbondos, não possuíam qualquer forma de governo e haviam sido profundamente afectados por ataques dos Imbalagas, e razias com o fim de capturar pessoas e gado.

Os habitantes locais foram ainda descritos como sendo "muito traiçoeiros, e aqueles que negociarem com esta gente têm de olhar pela sua própria segurança". Nas poucas ocasiões que os Imbalagas são mencionados em fontes primárias, são-no geralmente com relação a Benguela-Velha e não a Benguela.

Em 1617 a colónia de Benguela foi reconstruida mais a sul, no local do Forte de São Filipe de Benguela, actual cidade de Benguela.

Em 1771 os portugueses voltaram ao local primitivo, onde então existia uma aldeia chamada Kissonde, reerguendo aí a povoação de Benguela Velha, que em 1923 teve a sua designação alterada para Porto Amboim.

Na imagem: Pormenor do Atlas Van der Hagen de 1662, mostrando a localização de Benguela-Velha no Reino de Benguela

Os jagas, os imbagalas e bangalas.

Povos de África e de Angola - Os jagas, os imbagalas e bangalas.

Os Jagas é uma designação genérica para os grupos étnicos nómadas que invadiram o Congo e Angola durante o século XVI, mas que foram submetidos pelos locais e pelos portugueses.

- O termo pode designar, ainda, um soberano dos bangalas do Reino de Cassange.

No século XVII, missionários e geógrafos propuseram várias teorias relacionando o termo "jaga" a grupos de saqueadores que operavam em locais tão distintos como Somália, Angola, Serra Leoa e uma hipotética terra natal jaga na África Central.

- Mais recentemente, estudiosos rejeitaram tais teorias iniciais. Na década de 1960, propuseram que a tradição oral do reino Lunda, quando comparada com a tradição oral de alguns grupos angolanos, sugeria que a invasão jaga ao reino do Congo e os jagas de Angola eram, ambos, compostos por conquistadores provenientes do reino Lunda no século XVI. Em 1972, Joseph C. Miller sugeriu que o grupo que invadiu o Kongo era completamente distinto do grupo que invadiu Angola, e que o segundo grupo deveria ser chamado de Imbangala.

Essa distinção é, atualmente, largamente aceite nos meios acadêmicos. Jagas Yaka - A primeira vez que os portugueses ouviram falar de um grupo conhecido como "jaga" foi durante a guerra de 1556 do reino do Congo contra o reino do Ndongo.

- Entre as forças regulares do reino do Ndongo, estavam guerreiros mercenários da etnia Yaka. Os Yaka tinham a reputação de serem ferozes e de terem vindo de um distante interior.

Eles habitavam o médio rio Cuango, o que os tornava os vizinhos do leste tanto dos ambundos quanto dos congos. Esses jagas eram vítimas constantes do comércio de escravos praticado pelo reino do Congo. Como represália, esses jagas invadiram o reino do Congo em 1568.

Isto forçou os portugueses a intervirem com seiscentos arcabuzeiros para proteger o rei Álvaro I. Embora expulsos completamente do reino do Congo em meados da década de 1570, os jagas continuaram a ser uma força na fronteira.

Posteriormente, eles forneceram mercenários para a guerra civil no reino do Congo.

Os portugueses também encontraram outro poderoso povo guerreiro, desta vez ao sul do rio Cuanzaː os bangalas. A origem desse povo é controversa, mas acredita-se que eles tenham vindo do reino Lunda em função de mudanças políticas não desejadas nesse reino.

Os bangalas eram notoriamente ferozes e praticantes de antropofagia ritual. Eles foram usados eficientemente como mercenários pelos portugueses no processo de conquista de Angola.

Estes bangalas mercenários viriam a formar o reino de Cassange no rio Cuango.

História - A região leste de Angola, assim como parte da República Democrática do Congo e Zâmbia, foi unificada, em 1590, sob a égide do rei Muanta Gandi, que formou o reino Lunda, um poderoso Estado pré-colonial que tinha inicialmente sede em Mussumba, atualmente no oeste da Zâmbia.

O Estado Lunda acabou por tornar-se, no século XVII, o Império Lunda (1º império), que por fim esfacelou-se em vários Estados confederados em virtude de inúmeras guerras pelo trono da rainha Lueji A'Nkonde.

O seu principal ente confederado substituto foi Reino Lunda-Chócue, que tinha sede em Luena e zona importante em Saurimo. O próprio Reino Lunda-Chócue costurou a formação de um 2º Império Lunda, em meados do século XIX.

As potências coloniais europeias; Bélgica, Grã-Bretanha e Portugal, não aceitaram a formação dessa nova unidade imperial, fazendo diversas incursões militares na região, até que, como resultado da Conferência de Berlim realizada em 1884-1885, procederam a divisão definitiva dos lundas, extinguindo-se o Reino Lunda-Chócue.

Em 13 de julho de 1895 é criado o "distrito de Lunda", para administração portuguesa junto ao Protetorado Lunda-Chócue.

- A capital foi assente ser em Saurimo, preterindo a histórica Luena.

No ano de 1896 a capital muda-se para Malanje, permanecendo até o ano de 1921, quando volta novamente para Saurimo.

Povos de África - Os Khoisan

Povos de África - Os Khoisan

(População total estimada na actualidade - 400 mil)

- Regiões com população Khoisan mais significativa: Namíbia, Botsuana e Angola

- Línguas: Khoisan Khoisan ou Khoi-San (também conhecido como coisã, ou coissã, é a designação unificadora de dois grupos étnicos do sudoeste de África que partilham algumas características físicas e linguísticas distintas das da maioria banta da África.

- Esses dois grupos são os san, também conhecidos por bosquímanos ou boximanes e que são caçadores-coletores, e os khoikhoi, que são pastores e que foram chamados hotentotes pelos colonizadores europeus.

Aparentemente, estes povos têm uma longa história, estimada em vários milhares (talvez dezenas de milhares) de anos, mas agora estão reduzidos a pequenas populações, localizadas principalmente no deserto do Kalahari, na Namíbia, mas também no Botsuana e em Angola.

Os khoi-khoi e os san atuais podem ser descendentes de povos caçadores-colectores que habitavam toda a África Austral e que desapareceram com a chegada dos bantos a esta região, há cerca de 2000 anos.

Não é provável que os bantos tenham exterminado os khoikhoi e os san, uma vez que algumas das suas características linguísticas e físicas foram assimiladas por vários grupos bantos, como os xhosas e os zulus.

É mais provável que a redução do seu território de caça, derivado da instalação dos agricultores bantos, tivesse sido uma causa para a redução do seu número e da sua área habitada.

Até a instalação dos holandeses na África do Sul, há cerca de 200 anos, estes povos ainda povoavam grandes extensões da Namíbia e do actual Botswana.

Estes colonos chamaram okhoisakoisan de hotentotes - que significa "gagos" na língua neerlandesa, provavelmente devido à sua língua peculiar.

Os san foram, por muito tempo, chamados de "bosquímanos", ou seja, "homens do mato", termo emprestado do inglês bushman. Tanto "bosquímanos" quanto "hotentotes" têm, actualmente, uma conotação pejorativa.

Os nomes san e khoikhoi que se utilizam actualmente são derivados, da sua língua khoisan. Hoje em dia, há uma população san significativa na Namíbia, onde a sua língua tem um estatuto oficial, sendo utilizada no ensino até ao nível universitário.

Comunidades menores existem no Botsuana e no sul de Angola.

Em termos anatómicos, os khoisan, são em média mais baixos e esguios que os restantes povos africanos. Além disso, possuem uma coloração de pele amarelada e prega epicântica nos olhos, como os chineses e outros povos do Extremo Oriente.

Algumas destas características são agora comuns a outros grupos étnicos sul-africanos, sendo patentes por exemplo em Nelson Mandela.

Na genética os khoisan possuem o mais elevado grau de diversidade do ADN mitocondrial de entre todas as populações humanas, o que indica que eles são uma das mais antigas comunidades humanas.

O seu cromossomo Y também sugere que, do ponto de vista evolucionário, os khoisan se encontram muito perto da "raiz" da espécie humana.

De acordo com um estudo genético autossômico de 2012, os khoisan podem ser divididos em dois grupos, correspondentes às regiões noroeste e sudeste do Kalahari, os quais se separaram nos últimos     30 000 anos.

Todos os indíviduos testados na amostra apresentaram ancestralidades de populações não khoisan, que foram introduzidas no período de há 1200 anos, como resultado da expansão banta.

Além disso, os hadzas, um grupo de caçadores-coletores do Leste da África, que também utilizam uma língua baseada em cliques (como a dos khoisan), possuem um quarto de sua ancestralidade vindos de uma população relacionada aos khoisan, revelando uma ligação genética antiga entre o Sul da África e o Leste da África.

Ou seja, as populações khoisan de Angola e da Namíbia teriam se separado daquelas da África oriental entre há 25 000 e 40 000 anos.

- Um estudo genético de 2016 constatou que os Khoisan permaneceram relativamente isolados até há 2000 anos.

Na imagem, os "Khoisan grelhando gafanhotos", - pintura de Samuel Daniell de 1805