Editora Mensagem - Luanda

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Sobre o denominado Manifesto dos comunistas contra a geringonça

Sobre o denominado Manifesto dos comunistas contra a geringonça Da autoria do Blogue de luta-anti-imperialista... e que a CMTV, em entrevista emitida ontem dia,... à noite sobre as próximas eleições legislativas, colocou esta questão ao SG do PCP, Jerónimo de Sousa... e que a jornalista do Expresso, Rosa Lima, pretende ainda falar... entrevistar, os responsáveis deste Manifesto!

- Os promotores do Manifesto, apresentam-se como comunistas marxistas-leninistas... como eu também penso ser ML, não quero perder a oportunidade de entrar no debate... muito embora, eu de momento e desde que vim de Luanda há quase dois anos, esteja afastado do partido.

Começo por colocar uma questão de análise marxista aos camaradas promotores do Manifesto. - Como se pode fazer uma análise séria, sem se ter em conta o contexto e a realidade, nacional, regional e mundial... na actualidade? E concluírem, que o capitalismo em Portugal e no resto Mundo, não está apenas maduro para ser derrubado pelo socialismo está - a ficar podre. E que tal reforça a necessidade e a actualidade da luta pela revolução socialista.

- Quem dera que fosse assim... mas infelizmente não é. Colocar as questões desta forma e caracterizar o processo histórico nos termos em que está colocado... faria algum sentido se estivessemos a viver à 50 anos atrás. Quando ainda havia a Ocidente uma numerosa classe operária organizada, combativa, determinada e pujante... um forte movimento comunista e operário a nível mundial e a pátria fundada por Lenine e a revolução de outubro no poder.

Claro que a luta continua, a luta de classes é permanente, mas adaptada aos novos tempos e paradigma do actual modo de produção.

Erros... claro que pode e deve haver eventualmente na condução do partido... é da vida... nem tudo se passa exactamente como analisamos e prevemos... mesmo analisando seriamente e colectivamente, se falha ou pode falhar... porque existem os contrários e imprevistos... na dialéctica da vida e nas sociedades... mas as opções e orientações da direção do partido, bem como a sua táctica e estratégia, está assente nas decisões aprovadas democraticamente nos congressos realizados pelo partido.

Pelo que se alguém acha que é preciso mudar o curso das coisas... se as orientações do partido estão erradas... o que pode e deve fazer é reclamar numa base justificada em termos políticos e estatutariamente, um congresso com essa finalidade... a de alterar as orientações seguidas até agora... e que só discutidas e aprovadas em congresso se podem adoptar de facto.

É assim que funciona a democracia socialista.

Que me desculpem os camaradas, que acredito estarem bem intencionados, mas este Manifesto parece mais de um grupelho a repetir adjectivos políticos já gastos por outros noutros tempos.

Acho que passados 44 anos do 25 de novembro de 75, ainda não perceberam bem... porque aconteceu. Nem perceberam de facto, o que determinou o 25 de abril e o agudizar da luta de classes, entre o 11 de março e o dito 25.11...de 75.

E porque o PCP, mudou... e adiou as tarefas da revolução socialista e adoptou as teses da revolução democrática e nacional, realizadas no seu V Congresso, ainda na clandestinidade - 1965.

E numa análise marxista também... as actuais orientações do PCP, são as possíveis e acertadas ao momento actual que vivemos.

O quanto pior melhor... poderia agradar a alguns, mas ao povo Não.

Não foi a natureza de classe do PCP que mudou... foi antes... o contexto geo-politico internacional e o recuo de toda a humanidade.

Criticas a fazer ao PCP, também tenho... mas são problemas de pormenor, não de dissidências ou discrepâncias na orientação geral.

António Jorge

Eleições Portugal

O respigar de algumas propostas programáticas Eleitorais do BE

Observações em relação ao programa eleitoral do Bloco de Esquerda e que conjuntamente com o do PCP, serão os únicos que me poderão fazer perder o meu tempo, e interessar analisar, já que as tendências políticas... apesar dos tempos modernos... ainda nos permitem ver e compreender o que é esquerda e direita... e porque em política o centro, nada ter a ver com virtude, e nomeadamente em termos de justiça social.

As técnicas de dar por um lado... de um dado momento alto da luta dos trabalhadores, para aliviar a pressão de luta de classe, e tirar por outro... e quando se adormece... e não luta suficientemente com determinação, organização, esclarecimento e inteligência para manter a pressão... sobre o inimigo de classe e do poder seu aliado... passam a ser conquistas de efeito apenas efêmoro... já que vivemos em economia capitalista interdependente... e do tipo mais canceroso... o neoliberal.

É como a luta entre o gato e o rato... inconciliável.

Não se pode nunca, deixar de ter em conta a natureza de classe dos vários poderes nacionais e internacionais e saber com a força somada da esquerda e do movimento sindical e popular... até onde podemos ir...

A luta de classes é permanente e perpétua, até que uma classe submeta e oprima a outra. E as regras do jogo, são aquelas que o capitalismo permite... não se confunda democracia formal e representativa e o direito a alternâncias, com as possibilidades de alternativa do poder à esquerda.

A geringonça foi uma espécie de meio-termo e conseguido em resultado das contradições político eleitorais no centro direita… e pela sagacidade e capacidade de perceber o contexto e de uma saída mais democrática… só possível à esquerda sugerido pelo PCP. - Um PS de maioria absoluta, não será igual... será a repetição de mais do mesmo… dos 40 anos anteriores à geringonça.

O PS na altura, colou-se à ideia do PCP… porque não foi o partido mais votado. Do Programa do Bloco, retirei entre outros a focar depois… o seguinte para analisar aqui nas redes sociais:

1 - Horário de trabalho para o sector privado - 35 horas

A minha justificação: Absolutamente de acordo, além das distâncias cada vez maiores entre os empregos e o local de residência, e das consequências entre os casais e filhos. Existe um aumento provocado pela adopção de técnicas racionais de trabalho, operado pelas grandes marcas e empresas, hoje dominantes… e que conduz a um aumento da carga e das tarefas… e carga psicológica sobre os trabalhadores, ainda por cima a maioria em regime precário de trabalho sem direitos de facto.

Assim e não sendo possível o retorno ao trabalho organizado como no passado recente… por exemplo no comércio e serviços, em que existia o regime de semana inglesa, trabalho em dois turnos, manhã e tarde de segunda a sexta, e da parte da manhã de sábado até às 13 horas… em que o período de funcionamento do comércio e serviços estava próximo e de acordo com os horários de trabalho, regulado por contratos colectivos de trabalho, e disposições administrativas da Lei que remetia para as Autarquias Locais, esse poder exclusivo através dos Editais camarários da regulação dos horários de funcionamento do comércio e estabelecimentos de atendimento ao publico e dos mercados.

Por outro lado e paradoxalmente, apesar do aumento dos ganhos da produtividade, os salários em vez de aumentarem ou até se manterem, em função da racionalização e concentração da riqueza das empresas, do aumento do custo de vida… alimentação, rendas de casa, impostos de toda a ordem, transportes e outros serviços essenciais à vida das famílias em sociedade, aumentaram exponencialmente. - Só aumentou a rentabilidade dos ganhos do Estado e do Patronato… só os dos trabalhadores baixou.

Em conclusão dizer ainda o seguinte: Entre 1886, ano do trágico Primeiro de Maio da luta pela jornada de trabalho das 8 horas… e dos três oito… oito para trabalhar, oito para descansar, oito para ilustrar (estudar)… a capacidade de produção aumentou geometricamente por razões do desenvolvimento das técnicas, da ciência e dos meios de trabalho… e da racionalização... esses ganhos só o patronato aproveitou e aproveita... os horários... a jornada de trabalho semanal... ainda andam próximos e de acordo com as conquistas dos primeiros anos do século XX... desde a aplicação na Rússia soviética e na Europa Ocidental, desde 1919, o horário das oito horas, da velha e gloriosa luta dos trabalhadores e dos mártires do primeiro de maio de Chicago de 1886.

Por isto e por muito mais, apoio esta medida perfeitamente justa e possível de se conquistar… fui sindicalista e sei por experiência própria que os trabalhadores portugueses apesar do contexto e se calhar até por isso… desde que vem explicado de uma forma pedagógica e compreensível

- Lutarão por este direito de grande alcance político, familiar, profissional, social e económico!

OS TRABALHADORES... DE TODAS AS ÉPOCAS MESMO EM DITADURA - SEMPRE LUTARAM E LUTAM PELO QUE É JUSTO E COMPREENSÍVEL - É PRECISO É SENTIR A CLASSE E SABER DIRIGIR... PERCEBER COMO SE ORGANIZA, MOTIVA E MOBILIZAM OS TRABALHADORES PARA A LUTA PELOS SEUS INTERESSES E DIREITOS!

António Jorge Ex- Sindicalista do comércio da CGTP-Intersindical Nacional

11 de setembro de 2019