Editora Mensagem - Luanda

Não existe em lado nenhum do Mundo - Futuro... sem Educação!

África (1)

A historiografia e o problema das fontes A história da África meridional apresenta muitos problemas.

Por isso a Unesco, responsável pela História geral da Africa, promoveu, em 1977, em Gaborone (República do Botsuana), o encontro de um grupo de especialistas em historiografia da África meridional. Devido ao apartheid, a história dos povos negros do sul do Limpopo foi menos estudada que a de outras populações africanas.

O apartheid causou efeitos nefastos para a historiografia da região. "A tendência a centrar os estudos no passado da minoria branca dominante acentuou-se com as posições rígidas adotadas pelas universidades e editoras sul-africanas em geral, durante o apartheid, se recusaram a aceitar a validade de fontes não-escritas para a reconstrução histórica". Além disso, historiadores brancos da República da África do Sul por essa altura, recusaram o concurso de ciências como a arqueologia, a antropologia e a lingüística.

Ainda mais sério foi o facto de historiadores oficiais do país do tempo do apartheid, escolherem nos arquivos material concernente apenas aos brancos, deixando deliberadamente de lado os documentos referentes aos povos africanos.

Para finalizar essa caracterização da historiografia da região sob o domínio do tempo do apartheid, observemos da "importância de arquivos portugueses, que tanto contribuíram para a compreensão da história de muitas sociedades da África oriental, principalmente das litorâneas, documentos que auxiliaram no estudo da história pré-colonial das sociedades do Zimbábue, de Angola e de Moçambique, terem sido sistematicamente negligenciados pelos historiadores sul-africanos".

Estes historiadores não somente rejeitam a tradição oral como fonte sem valor, como também demonstram, em relação aos registos escritos, uma "seletividade inquietante" e anticientífica.

Toda a literatura histórica acumulada por quatro gerações de historiadores da África meridional, inscreve-se contra a história dos povos africanos.

Não tem sido fácil reunir a documentação para escrever esta História geral da África, mas, no caso presente, defrontamo-nos com uma política deliberada para ignorar, senão destruir os documentos existentes!

A negação (activa) da cultura e da história africanas foi uma arma perigosa nas mãos dos que controlavam o apartheid. No entanto têm ocorrido mudanças no contexto da África meridional: a independência do Zimbábue em 1980 abriu amplo campo para a pesquisa.

Também Angola e Moçambique, desde sua independência, oferecem novas perspectivas aos estudos, que já se iniciaram nos Estados vizinhos, como Malawi, Zâmbia, Botswana, Suazilândia e Lesoto; multiplicam-se as conferências e os seminários, e há um esforço real no sentido de integrar as tradições orais na descoberta de toda a  história da humanidade.

Um navio negreiro da época da escravatura

História da África - A Civilização Iorubá

 

 

- Segundo um dos principais mitos da criação, a civilização iorubá, localizada no sudoeste da atual Nigéria, tem origem no rei Odudwa... que desceu dos céus sobre o mar, tendo, nas mãos, uma cabaça cheia de areia e uma galinha; despejou a areia sobre o mar, posando, nela, a galinha que, ciscando, deu origem à terra habitada.

Os iorubás seriam descendentes diretos de Odudwa, primeiro soberano deste povo. Embodying The Sacred In Yoruba Art Esta civilização que, segundo pesquisa arqueológica realizada em 1938, já utilizava a técnica metalúrgica da areia perdida no século XI, centrou-se em três cidades: Benin, Oyó e Ifé, sendo esta a cidade sagrada: era ali que estava localizado o centro da civilização, posto que lá estava o seu berço, bem como o palácio do chefe religioso, o Oni.

As outras cidades, todas mitologicamente fundadas por filhos de Odudwa, tinham por chefe um Obá.

Considerado sagrado, ele usava, como símbolo real, um turbante, do qual pendiam fios de pérolas que, de tão juntas, não deixavam ver seu rosto.

Os reinos iorubás, embora ligados cultural, linguística, religiosa e historicamente, organizavam-se de forma autônoma, o que pode ter facilitado a sua destruição quando da invasão europeia; esta configuração, talvez, tenha impedido que os iorubás formassem um império.

O reino de Oyótornou-se, nos séculos XVII e XVIII, o mais poderoso dos reinos iorubás, graças à sua organização militar, que se apoiava em unidades de arqueiros montados, armados com lanças e espadas; mas Oyó decai no século XIX, sob os fulas; porém, nem estes, muçulmanos, nem os europeus, fortemente cristãos, conseguiram impor suas religiões aos iorubás, cujo panteão de orixás ainda hoje tem lugar de destaque nas crenças locais, assim como em toda a diáspora africana das Américas.

A cidade de Benin,depois tornada reino por volta de 1300 d.C.,ligava-se, também, à cidade sagrada de Ifé – assim como todo o mundo iorubá – por descendência de Odudwa; seu soberano mais célebre foi o Obá Ewaré, o Grande: entronizado em 1440, mandou construir estradas e embelezou a capital que, dividida em quarteirões especializados por atividades, produzia a receita do rei, gerada pela cobrança de tributos sobre o comércio.

Na direção do Estado, o soberano contava com a assistência de aristocratas e do senado – Sociedade Ogboni – que, formado por anciãos, podia, inclusive, destituir o próprio rei.

Aquando da partilha da África, os ingleses tentaram impor o seu protetorado ao reino do Benin; mas encontraram forte oposição do rei, o que resultou no assassinato do cônsul inglês.

Em represália, a Inglaterra enviou uma expedição punitiva que, em 1897, tomou e pilhou totalmente a capital: os soldados ingleses apoderaram-se de milhares de obras-primas da arte beninense, que podem atualmente ser vistas em museus e galerias diversos da Europa.

Na imagem um navio negreiro que transportavam escravos arrancados à força em África para as Américas.

Guerreiros Kanembu e seu chefe a cavalo, ilustração de Heinrich Barth's - 1857

História de África - O Império de Kanem-Bornu

História de África - O Império de Kanem-Bornu -

Este império ter-se-à formado entre os séculos VIII e IX, ocupando o espaço entre o nordeste das dunas de Kanem e do atual Chade. Foi a encruzilhada das rotas comerciais que vinham do Norte, da Tunísia e do Egito, para a chamada África Negra.

- Inicialmente, o Kanem era uma confederação de diversos grupos étnicos, mas, por volta de 1100 d.C., o povo kanuri chega à região e, no final do século XII, um príncipe deste povo, que se atribuiu o título de Maï e o nome de Doumana Dibbalemi, convertido ao islamismo, declarou a jihad aos seus vizinhos. Ao vencê-los, consegue impor sua autoridade sobre os demais Estados da região, unificando-os no Império Kanem-Bornu. Sob Idris Alaoma, que reinou de 1575-1610, o Kanem estendeu o seu poder até Bornu, outro reino kanuri, localizado ao sul e oeste do lago Chade.

Conseguiu este rei, ao impor o Estado Islâmico, tamanha expansão, que passou a controlar todo o extenso território compreendido entre a Líbia, lago Chade e a região ao sul que, extremamente estratégica, controlava todo o tráfico comercial entre a África Branca e a África Negra, e que viria a ser chamada de Hauçalândia.

Idris Alaoma visitava frequentemente o Oriente e a Turquia, onde obtinha instruções militares. Dedicado à arte da guerra, multiplicou o seu exército, subdividindo-o em unidades especializadas e aperfeiçoando as técnicas de paliçadas defensivas. o seu exército passou a ser conhecido, especialmente, pelo poder e destreza da cavalaria. Em contrapartida à orientação bélica, foi ele, também, grande construtor de mesquitas.

O Império sobreviveu por séculos, porém, em 1846, começou a perder poder em função do crescimento das cidades-estado hauçás e, em 1893, Rasbah, aventureiro vindo do Nilo, quebra a resistência do Kanem-Bornu, malgrado o grande preparo militar desse Império.

Quando Rasbah se preparava para dominar a região, os colonizadores europeus, acobertados pela partilha da África, ocorrida oito anos antes, impedem tal domínio.

Um dos principais efeitos do Kanem-Bornu, o facto de ter sido passagem de nômadas em busca de pastagens ou comércio, foi possibilitar a mescla de populações da África Negra com os árabes, dando origem às populações fortemente mestiçadas que ocupam, atualmente, seu antigo território.

África - De ponta a ponta... do Cabo ao Nilo!

De ponta a ponta... do Cabo ao Nilo!

Reúnem-se em Berlim os países Ocidentais, e resolvem dividir e repartir, entre si, todo o continente africano.

Em 1884, apenas poucos anos após a extinção, apenas legal... do tráfico negreiro ocidental, os europeus quase nada conheciam do continente africano.

Antecedentes: 1865: o duque de Brabante, feito rei Leopoldo I da Bélgica, interessa-se pela África, e convoca a Conferência Geográfica de Bruxelas; 1876: cria-se, na Conferência de Bruxelas, a Associação Internacional Africana – AIA; melindrado por não ter sido convidado para a Conferência, Portugal inicia expedições de conquista à África; 1879: Henry Morton Stanley inicia a exploração do Congo, em nome da AIA; cria-se o Estado Livre do Congo; 1880: Portugal anexa propriedades rurais independentes afro-por­tu­guesas, em Moçambique; 1882: em 13 de julho, os ingleses instalam-se, provisoriamente, no Egito; em 22 de novembro, o parlamento francês aprova tratado firmado com o rei bateke, Makoko, estabelecendo a soberania da França sobre a margem direita do território então denominado “Stanley Pool”; 1884: em 24 de abril, o rei belga Leopoldo II, dono... do Congo, oferece, à França, o direito de preferência em caso de venda desse Estado; 1884, ainda: em julho, Gustav Nachtigal se apossa de povoados no Togo e nos Camarões; em 15 de novembro, Bismarck convida delegados de 14 nações, para se reunirem em Berlim, dividindo, entre si, a soberania sobre os territórios africanos;

- 1885, 23 de fevereiro: encerra-se a Conferência; a África está agora partida e repartida entre potências coloniais europeias. Diversas foram as formas de ocupação dos territórios partilhados; mas atingiram a totalidade da África, especialmente pela aplicação do pacto denominado hinterland, que permitia a qualquer Nação, ao expandir-se pelo continente, tomar posse de territórios ainda não reivindicados por outro país europeu.

Toda a África estava agora submetida e colonizada, com excepção, da Etiópia, esta porque não se rendeu à tentativa de ocupação italiana.

E, da Libéria, que foi fundada e colonizada por escravos americanos libertos com a ajuda de uma organização privada chamada American Colonization Society, entre 1821 e 1822, na premissa de que os ex-escravos americanos teriam maior liberdade e igualdade nesta nova nação e para os afastar ou reduzir os negros nos Estados Unidos, e pelo fim da escravatura na América do Norte, que só terminaria em 1863, com a Proclamação de Emancipação de Abraham Lincoln, realizada durante a Guerra Civil Americana... Escravos libertos dos navios negreiros aprisionados, também foram enviados para a Libéria, em vez de serem repatriados para seus países de origem.

Estes colonos africanos criaram um grupo de elite da sociedade da Libéria, e, em 1847, fundaram a República da Libéria, que instituiu como um governo inspirado nos Estados Unidos, nomeando Monróvia como sua capital, homenageando James Monroe, o quinto presidente dos Estados Unidos e um proeminente defensor da colonização.

História da África - A Etiópia

História da África - Etiópia

A Etiópia possuí desde os tempos imemoriais, a sua própria escrita e idioma e tem a sua história registada e documentada... não só nas suas próprias inscrições, mas, também, na dos povos que, com ela, mantiveram contato durante séculos; além disto, tem a sua história fortemente vinculada à do reino de Axum que, durante quase um milênio dominou o tráfico no Mediterrâneo, embora apresente características próprias, que remontam à antiguidade.

Crê-se que a Etiópia, antiga Abissínia, foi o primeiro país africano a ser cristianizado: isto, ainda antes do tempo de Constantino em Roma.

Existem inscrições em grego que atestam a visita de Abratoeis, vice-rei etíope cristão, ao imperador romano, em 360 d.C., época em que o cristianismo mal havia se transformado em religião oficial de Roma, o que só aconteceu, apenas, quarenta e sete anos antes.

A história da Etiópia, ainda regista que, dez anos após a partilha da África, a Itália buscava obter colônias no Continente e, com esse intuito, voltou-se contra... fazendo guerra à Etiópia.

Tentando dominar a cobiçada localização geográfica, declarou-lhe guerra em 1895 mas, um ano depois, foi vencida pelo exército de Menelik II, o que tornou a Etiópia a primeira nação africana a repelir os europeus.

Em consequência, as notícias do Estado africano, comandado por africanos, e que havia derrotado um exército europeu, espalharam-se rapidamente, tornando-se a Etiópia no símbolo de resistência para toda a diáspora africana no Mundo.

Trinta e cinco anos depois, em novembro de 1930, Ras Tafari Makkonen foi coroado Hailé Selassié I, imperador que alegou descender da mais antiga monarquia do mundo. Passados cinco anos e a Itália, já então fascista, novamente tenta conquistar a Etiópia: invadindo-a e, tentando “retaliar da humilhação” sofrida com a derrota da primeira investida.

Hailé Salassié, discursa e denúncia sobre esta agressão na Liga das Nações. A ocupação dura de 1936 a 1941, quando negros de todo o mundo acorrem em socorro da Etiópia; novamente a Itália se vê repelida da Etiópia.

Etiópia que ocupa grande parte do chamado Corno da África Sudeste africano.